A insegurança alimentar em Moçambique aprofundou-se com o fracasso do Programa “Sustenta” em alcançar os seus objectivos centrais de aumento da produção das principais culturas alimentares. Segundo o jornal Verdade, os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) confirmam que a maioria dos moçambicanos continua sem conseguir realizar três refeições diárias, expondo as fragilidades estruturais das políticas agrícolas em vigor.
A mesma publicação apurou que várias colheitas do presente ano registaram produções inferiores às de anos anteriores, agravando a situação das comunidades rurais e contrariando os resultados que o programa governamental prometia entregar. O cenário evidencia não apenas o insucesso de uma iniciativa específica, mas um problema mais amplo de eficácia das estratégias de desenvolvimento agrícola adoptadas nos últimos anos.
A agricultura permanece um pilar insubstituível para o desenvolvimento socioeconómico do país e para a redução dos elevados índices de pobreza. A incapacidade de garantir aumentos sustentados na produção alimentar compromete directamente a segurança nutricional de milhões de pessoas e trava o progresso de comunidades que dependem da terra como principal fonte de subsistência.
Face a este diagnóstico, torna-se imperativo que sejam adoptadas medidas correctivas abrangentes, que incluam um apoio efectivo aos agricultores e uma revisão profunda das estratégias de intervenção agrícola. A resposta à fome persistente em Moçambique exige uma abordagem integrada e sustentável, capaz de inverter a tendência negativa registada e de colocar a segurança alimentar no centro das prioridades do Estado.


