A reforma urgente da arquitectura da saúde mundial, o reforço da prevenção pandémica e a protecção das crianças no espaço digital dominaram os trabalhos da 79.ª Assembleia Mundial da Saúde, que decorreu entre 17 e 19 de Maio em Genebra sob o lema “Redefinir a saúde mundial: uma responsabilidade partilhada”. O encontro realizou-se num contexto internacional fragilizado, marcado por riscos de pandemias emergentes, pelo aumento preocupante das doenças não transmissíveis, pelas consequências sanitárias das alterações climáticas, por crises humanitárias e por ataques crescentes a infra-estruturas e profissionais de saúde. A necessidade de combater a desinformação sanitária e de integrar as inovações tecnológicas, incluindo a inteligência artificial, foi igualmente sublinhada, num momento em que a Organização Mundial de Saúde enfrenta uma crise financeira sem precedentes.
À margem da Assembleia, foi inaugurado a 17 de Maio o “Lost Screen Memorial”, uma exposição particularmente emocionante que presta homenagem às crianças que perderam tragicamente a vida em consequência de danos associados ao uso das redes sociais. A cerimónia contou com a presença de Meghan Markle, Duquesa de Sussex, do Director-Geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, e da ministra luxemburguesa da Saúde e da Segurança Social, Martine Deprez. Por detrás de cada ecrã encontra-se uma criança, uma família e um apelo à responsabilidade colectiva na protecção dos mais novos no ambiente digital, sendo a violência exercida sobre menores no mundo online considerada um desafio maior de saúde pública.
Na sua intervenção durante o debate geral, a ministra defendeu o reforço da prevenção, o investimento em sistemas de vigilância mais robustos, o apoio à investigação científica de qualidade e a garantia de acesso equitativo aos cuidados para toda a população, condição essencial para uma cobertura sanitária universal. Apelou ainda à conclusão das negociações sobre o anexo PABS do Tratado das Pandemias sem comprometer o prazo de 2027 e manifestou preocupação face à rápida propagação do surto de Ébola na República Democrática do Congo, que se estende já ao Uganda e provocou mais de 100 mortos. Por ocasião do 10.º aniversário do Programa de Emergências Sanitárias da OMS, Martine Deprez expressou pleno apoio à actuação da organização, nomeadamente à declaração de emergência sanitária de âmbito internacional e à libertação imediata de fundos de urgência.
À margem dos trabalhos, a governante luxemburguesa manteve uma reunião bilateral com o secretário de Estado norueguês da Saúde, Usman Ahmad Mushtaq, centrada na preparação para futuras crises sanitárias, no reforço de sistemas de saúde resilientes e em políticas de prevenção ambiciosas. Reuniu-se igualmente com o director regional da OMS para a Europa, Hans Kluge, para reafirmar o compromisso do Luxemburgo com uma organização forte, eficaz e reformadora, bem como o seu empenho permanente no multilateralismo em matéria de saúde. Ao longo da Assembleia, o Grão-Ducado posicionou-se como defensor de uma cooperação acrescida entre Estados, organizações internacionais, sector privado e sociedade civil para responder aos desafios globais.


