A redução do fosso digital no Luxemburgo entra numa nova etapa com a apresentação oficial do Plano de Acção Nacional de Inclusão Digital 2026-2030, documento que define as prioridades estratégicas para assegurar um acesso equitativo às tecnologias e aos serviços em linha durante os próximos cinco anos. O texto foi revelado durante o fórum dedicado à inclusão digital, evento que reuniu responsáveis governamentais, especialistas académicos e representantes da sociedade civil em torno dos desafios colocados pela transformação digital da administração e da vida quotidiana.
A abertura dos trabalhos coube a Ben Max, do Ministério da Digitalização, que detalhou as linhas mestras do novo plano e as medidas previstas para chegar aos públicos historicamente mais afastados das ferramentas digitais. Seguiu-se uma intervenção académica intitulada “Vu Luxusbuerg bis LLM – déi digital Geschicht vum Lëtzebuergeschen”, proferida por Caroline Döhmer, da Universidade do Luxemburgo, que percorreu a trajectória do luxemburguês no ambiente digital e expôs os desafios contemporâneos no domínio das tecnologias linguísticas, em particular no que respeita aos modelos de linguagem de grande dimensão.
As barreiras linguísticas no acesso aos serviços digitais marcaram a mesa-redonda que se seguiu, com a participação de Josiane Boever e Daniel Wagener, do Centro para a Língua Luxemburguesa, de Alain Vagner, do Serviço de Informação e Imprensa, e de Pit Frank, do GovTech Lab. Os intervenientes analisaram os obstáculos enfrentados pelos utilizadores num contexto multilingue como o luxemburguês e identificaram instrumentos institucionais e soluções tecnológicas susceptíveis de facilitar a acessibilidade aos serviços públicos electrónicos, tema considerado central na resposta às necessidades de uma população diversa.
O encerramento ficou marcado pela atribuição do Prémio de Inclusão Digital 2026, entregue pela ministra da Digitalização, Stéphanie Obertin. Criada em 2022, a distinção reconhece projectos seleccionados no âmbito do convite anual para candidaturas lançado pelo ministério e contemplou este ano cinco iniciativas pelo seu contributo na aproximação das comunidades mais vulneráveis às tecnologias: a Akzent, com “Accessimple”; o CID Fraen an Gender, com a “Biblioteca Inclusiva”; a Fundação APEMH, com “Isie News”; a Help, com a aplicação “CAPy”; e a Stëmm vun der Strooss, com “Stëmm Iessen”. A ministra sublinhou a qualidade dos trabalhos premiados e agradeceu o envolvimento dos diversos intervenientes na elaboração do segundo plano nacional, realçando a colaboração entre instituições, sociedade civil e mundo académico como um traço distintivo deste processo. Vídeos de apresentação dos projectos distinguidos estão disponíveis na plataforma do Ministério da Digitalização.


