A produção literária portuguesa após a queda do regime salazarista e as transformações estéticas que acompanharam o fim da censura são o tema central de uma conferência aberta ao público marcada para 27 de maio, no Campus de Esch-Belval da Universidade do Luxemburgo.
A sessão decorre na Maison du Savoir e conta com a intervenção de Agnès Levécot e Ilda Mendes dos Santos, ambas da Universidade Sorbonne Nouvelle, sob o título “La littérature portugaise post-25 Avril”. A iniciativa propõe um panorama das diferentes facetas desta produção literária e a apresentação das suas figuras mais marcantes. Com o fim da ditadura, os escritores portugueses, libertos da censura, afastam-se do neorrealismo — corrente que até então lhes permitira retratar, sob uma aparente objectividade, a realidade difícil do país. A partir desse momento, desenvolvem, sob diversas formas de escrita, um novo tipo de realismo marcado pela ficção e pela poesia, no qual a questão da identidade nacional adquire particular protagonismo.
Agnès Levécot é professora associada emérita na Universidade Sorbonne Nouvelle e membro do laboratório CREPAL, o Centro de Investigação sobre os Países de Expressão Portuguesa. Especialista em língua e literatura portuguesas, leccionou em diferentes níveis de ensino e defendeu uma tese consagrada ao romance português do pós-25 de Abril, dedicando-se actualmente à investigação sobre a literatura portuguesa contemporânea. Integra ainda o comité editorial da Sigila, revista transdisciplinar franco-portuguesa dedicada à noção de segredo. Ilda Mendes dos Santos, por sua vez, é professora associada na mesma universidade desde 1997, antiga aluna da École Normale Supérieure e agregada em português, com trabalhos centrados nas literaturas e culturas do mundo lusófono.
As investigações de Ilda Mendes dos Santos incidem, em particular, sobre a história cultural e literária da época moderna, os relatos de viagem e as trocas científicas no espaço românico. A conferência é organizada pelo Leitorado de Português do Instituto Camões na Universidade do Luxemburgo, no âmbito do Instituto de Estudos Românicos e conta com o apoio da Embaixada de Portugal no Grão-Ducado.


