«A Caroline não é uma estatística. Ela seguirá o seu próprio caminho.»
Eis a história da Caroline. Depois de ter vencido um cancro aos 20 meses de idade, o pior já ficou para trás. Mas a luta continua. A sua mãe conta-nos. «A minha filha adoeceu em 2018, aos 20 meses. Ficou rabugenta, até ao ponto de não conseguir fazer mais nada. Um dia, a creche alertou-nos e levámo-la às urgências», recorda Julia, a mãe de Caroline. Os exames revelaram um tumor atrás da cabeça e uma dezena de tumores mais pequenos à sua volta. «Ficámos paralisados. Mas os médicos tranquilizaram-nos rapidamente.» Era preciso remover o tumor maior, que enfraquecia e incomodava a menina. «Isso causava-lhe uma pressão imensa atrás da cabeça. Tudo correu bem, mas ela teve de se submeter a várias outras cirurgias para remover o resto.» Trinta e dois dias de internamento, a maioria dos quais nos cuidados intensivos.
O início de uma provação
«Estávamos num estado de sobrevivência. Não podíamos desistir.» O pai e a mãe decidiram revezar-se dia sim, dia não, ao lado da filha, para poderem recarregar as baterias. Seguiu-se então o início da quimioterapia. «Foi muito difícil. Já perdi a conta do número de transfusões que ela fez. Pelo menos uma centena». Embora a quimioterapia estivesse a funcionar bem, os médicos recomendaram uma fase de radioterapia devido à agressividade do cancro. Todas as manhãs, a menina era adormecida sob anestesia geral. «Punha uma música suave, pegava nela nos braços, embalava-a e colocava-lhe a máscara para a adormecer», conta a mãe, ainda emocionada.
«Como será a vida dela?»
Passaram-se cinco anos até hoje. Uma remissão celebrada com uma festa em casa! Salva, sim. Curada, é uma palavra forte. Pois a doença deixou marcas indeléveis, com as quais a menina terá de conviver toda a sua vida. A Caroline recebe injecções de hormonas de crescimento todas as noites. «Ela está a ser acompanhada pela neurologista pediátrica no que diz respeito à tiróide, ao crescimento, à coluna vertebral, aos olhos (a menina desenvolveu uma catarata), à motricidade fina e à pele, bem como à audição; e, em conjunto com a escola, estamos a realizar vários exames», explica a mãe. A menina, que frequenta a escola, tem de facto dificuldades em escrever, concentrar-se e aprender. Os desafios são, portanto, ainda muitos e o dia-a-dia nem sempre é fácil de gerir. «Pensamos que, após uma remissão, tudo volta ao normal, mas estamos longe de ter uma vida normal. Espero que, no futuro, haja também mais apoio para os pais após a doença. Às vezes, sentimo-nos isolados», sublinha Julia. A mãe mantém, no entanto, uma determinação de ferro e quer acreditar. «Às vezes pergunto-me como será a vida dela, mas tenho sempre presente o que o oncologista nos disse quando nos comunicou o cancro: a Caroline não é uma estatística. Ela terá o seu próprio caminho.»
Texto da responsabilidade da Fundação Kriibskrank Kanner


