O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, aceitou a derrota no passado domingo, após o que descreveu como um resultado eleitoral “doloroso”, pondo fim a 16 anos de poder para uma figura influente do movimento de extrema-direita, aliada ao presidente dos EUA, Donald Trump, e ao presidente russo, Vladimir Putin.
Resultados parciais mostram que o partido do líder da oposição, Peter Magyar, dominou as votações, gerando um forte impacto em toda a Europa e além. Magyar expressou a sua gratidão numa plataforma de redes sociais, enquanto milhares de seus apoiantes celebravam nas margens do Danúbio, em Budapeste.
Orbán, em discurso para os seus apoiantes, congratulou o partido vencedor e afirmou: “Vamos servir a nação húngara e a nossa pátria também a partir da oposição.” Com cerca de 60% dos votos contados, o partido Tisza de Magyar contava com mais de 52% de apoio, contra 38% do partido Fidesz de Orbán, embora essa proporção possa mudar conforme mais votos sejam contabilizados.
Esta derrota baixa a influência de Orbán, o líder mais duradouro da União Europeia e um dos seus maiores antagonistas, cuja trajetória política o viu transformar-se de um liberal fervoroso num nacionalista amigo da Rússia, admirado por radicais de direita em todo o mundo. Durante o processo eleitoral, ambos os partidos, Fidesz e Tisza, relataram possíveis irregularidades, sugerindo que alguns resultados poderão ser contestados.
A participação popular nas eleições foi histórica, ultrapassando 77% às 18 horas, conforme avança a comunicação social americana. Magyar apelou aos seus apoiantes para que se mantenham pacíficos e otimistas, afirmando que, caso os resultados confirmem as expectativas, será ocasião para grandes celebrações.
O chefe de gabinete de Orbán, Gergely Gulyás, referiu que a elevada taxa de participação demonstra que “a democracia húngara é extremamente forte.” O resultado das eleições foi visto como uma escolha entre uma orientação pro-Rússia sob Orbán ou a possibilidade de reaver um lugar nas sociedades democráticas da Europa, segundo Magyar.
A relação de Orbán com a União Europeia tem-se deteriorado, especialmente pelo seu alinhamento com o Kremlin e pela sua recusa em acabar com a dependência da Hungria em relação aos combustíveis fósseis russos. Este ambiente tenso foi acentuado por revelações de que um alto membro do seu governo partilhou informações das discussões da UE com Moscovo, levando a acusações de que a Hungria age em benefício da Rússia dentro do bloco.
Magyar, que emergiu como um sério concorrente ao poder de Orbán, conquistou um lugar no Parlamento Europeu em 2024, liderando o partido Tisza. Ele fez uma forte campanha centrada em questões do dia a dia dos cidadãos, como a saúde pública e as infraestruturas, além de criticar a corrupção governamental.
A batalha eleitoral não será fácil para Magyar, uma vez que Orbán controla a grande parte dos media públicos e privados do país, o que lhe dá vantagem na disseminação da sua mensagem. Além disso, a transformação do sistema eleitoral húngaro favorece Fidesz, tornando necessária uma margem significativa para que Tisza consiga uma maioria simples.
Apesar dos desafios, a expectativa de uma mudança política significante na Hungria está agora à vista, à medida que o país se dirige para um novo futuro com a liderança da oposição e perante um eleitorado mobilizado.


