A elaboração da história da luta de libertação dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) compreenderá a produção de três volumes, conforme anunciou Nazaré de Ceita, historiadora e coordenadora do projecto em representação de São Tomé e Príncipe.
Este ambicioso projecto surge de um desafio lançado pelo ex-presidente de Cabo Verde, Pedro Pires, sendo acolhido pelo chefe de Estado angolano, João Lourenço. O objetivo é documentar a luta pela independência das antigas colónias portuguesas.
Em perante um grupo de historiadores são-tomenses, Nazaré de Ceita explicou que o primeiro volume abordará as características das sociedades africanas entre o último quartel do século XIX e 1945, incluindo o pensamento nacionalista e a formação das organizações políticas até 1966, além de elementos de clandestinidade.
O segundo volume incidirá sobre a luta armada e política para a libertação nacional entre 1961 e 1974, abarcará a administração das zonas libertadas e a participação das mulheres na luta, assim como a frente político-diplomática.
Nazaré de Ceita revelou que o terceiro volume será dedicado às transições que levaram às independências nacionais dos referidos PALOP. Segundo a historiadora, a conclusão da nova narrativa sobre as lutas de libertação dos PALOP está prevista para o final de 2025.
Grupos de historiadores dos diferentes países estão actualmente a trabalhar em conjunto, adoptando diversos métodos e técnicas de investigação, com ênfase na utilização de várias fontes. As actividades incluem diálogos, cruzamento de fontes históricas e documentais, recolha de depoimentos, além de um extenso trabalho em arquivos e bibliotecas, conforme avança a comunicação social de São Tomé e Príncipe.
O antigo presidente da República, Miguel Trovoada, que esteve presente na apresentação do projecto, sublinhou a importância de que a abordagem da luta de libertação de São Tomé e Príncipe vá mais atrás no tempo. Ele destacou que a primeira organização foi o CLSTP (Comité de Libertação de São Tomé e Príncipe), que já contava com uma presença na Organização das Nações Unidas e participou na fundação da Organização da Unidade Africana em 1963. Trovoada afirmou que a leitura da história não deve começar apenas após 25 de abril de 1974, mas deve reconhecer a luta anterior.
Miguel Trovoada saudou a iniciativa, esperando que ela avance de forma holística e objetiva, respeitando a verdadeira história do país.
Na sessão pública de apresentação, destacou-se a presença de vários antigos membros da luta de libertação nacional, como Filintro Costa Alegre, Gabriel Costa, ex-primeiro-ministro, e outros notáveis, como Alda Bandeira, Guilherme Posser da Costa e Elsa Pinto.


