O cheiro a queimado e a presença de fumo em várias zonas do território levaram as autoridades a apelar à precaução, sobretudo junto das pessoas mais frágeis. A causa não está no Grão-Ducado. Arde, desde sexta-feira, uma vasta área das Hautes Fagnes, no leste da Bélgica, e as condições meteorológicas têm empurrado os fumos muito para lá do foco original.
Uma célula de avaliação interministerial reuniu-se na tarde desta segunda-feira para medir a evolução do fenómeno e as suas eventuais consequências no país. Nela participaram a Administração do Ambiente, o Corpo Grão-Ducal de Incêndio e Socorro (CGDIS), a Direcção da Saúde, o Alto-Comissariado para a Protecção Nacional (HCPN) e o MeteoLux. O acompanhamento faz-se em articulação com os parceiros envolvidos e em contacto permanente com as autoridades belgas.
Até ao momento, não foi identificado qualquer impacto sanitário significativo para a população. A ressalva, ainda assim, é clara: a exposição ao fumo pode irritar as vias respiratórias e provocar dificuldade em respirar, em especial nos grupos sensíveis. Tudo dependerá do vento. Segundo as previsões, a partir da noite o vento deverá soprar progressivamente de norte, o que pode alterar a dispersão do fumo e as zonas afectadas.
As recomendações são práticas. Quem detectar fumo ou se sentir incomodado pelo odor deve fechar portas e janelas, limitar ao máximo a exposição e evitar esforço físico prolongado ao ar livre quando o fumo for intenso. Convém desligar temporariamente os sistemas de ventilação que puxam ar do exterior, para não trazer as partículas para dentro de casa. A atenção redobra-se com os bebés e as crianças pequenas, os idosos, as grávidas e quem sofre de problemas respiratórios ou cardiovasculares. Assim que o incómodo diminuir, e se as condições lá fora o permitirem, aconselha-se a arejar de novo os espaços. O desconforto pode surgir de forma intermitente, ao sabor da mudança do vento.
Há um pedido adicional, dirigido ao bom senso de todos: não sobrecarregar as linhas de emergência. Sentir cheiro a queimado, por si só, não justifica uma chamada para o 112 quando não existe perigo imediato. Perante um foco de incêndio, uma situação de risco ou alguém em perigo, o número mantém-se — 112, sem hesitar.
Do lado belga, o cenário é grave. O incêndio deflagrou na sexta-feira, 14 de agosto, por volta das 13h06, no território do município de Baelen, na província de Liège. Segundo o Serviço Público da Valónia, as chamas já consumiram cerca de 3.000 hectares de vegetação, o que faz deste o maior fogo florestal alguma vez registado na Bélgica. O terreno é de acesso difícil e o fogo, que ainda não foi dominado, progride para sudeste, tendo entretanto atingido uma mancha de resinosas que complicou os trabalhos.
O esforço no terreno é considerável. Cerca de 500 pessoas e mais de 120 veículos estão empenhados no combate, com bombeiros belgas de perto de vinte zonas de socorro reforçados por meios alemães e luxemburgueses. A RTBF dá conta de evacuações pontuais em Sourbrodt (Waimes) e em Bütgenbach, da abertura de um centro de acolhimento no pavilhão desportivo de Malmedy e do accionamento do mecanismo europeu de protecção civil. Chegaram ainda vários helicópteros, incluindo aparelhos Chinook neerlandeses, para atacar as chamas pelo ar.


