Há lojas que vendem produtos e há espaços que acabam por contar a história de quem os criou. No Luxemburgo, Paula encontrou nos cristais e nas pedras uma forma de transformar uma paixão antiga num projecto profissional, mas foi também através da criatividade e da reciclagem que descobriu outra maneira de dar uma nova vida a materiais que, à partida, teriam como destino o lixo.
A história começou há vários anos, quando Paula, já apaixonada por cristais, percebeu que no Luxemburgo havia pouca oferta nesta área. Graças aos contactos que foi estabelecendo, começou a adquirir algumas pedras e a vendê-las a amigos, vizinhos e conhecidos.
A procura foi crescendo e aquilo que começou de forma quase informal levou-a a procurar informação sobre licenciamento e a entrar no circuito das bradarias, participando em feiras um pouco por todo o país, de norte a sul. Foi uma experiência que durou vários anos e que lhe permitiu não só dar a conhecer o seu trabalho, mas também conhecer pessoas e perceber melhor o interesse existente em torno dos cristais e da espiritualidade.
Depois de onze anos a trabalhar numa empresa de limpezas, Paula decidiu mudar de vida. Após três ou quatro anos de participação em feiras, tomou a decisão de deixar o emprego e abrir a sua própria loja.
Hoje, a loja, o Cantinho da Nayma, está situada em Beggen, no Centro Comercial Espaço, e está prestes a completar cinco anos de actividade.

“É um aprendizado”, explica Paula, descrevendo a experiência de manter uma porta aberta durante estes anos. Um aprendizado diário, feito de clientes, conversas, troca de ideias e também de novas áreas de conhecimento.
A espiritualidade ocupa naturalmente um lugar importante neste universo. Paula fez formação em Reiki e continua a procurar novas formações, ao mesmo tempo que lê e estuda sobre cristais e espiritualidade.
Na loja encontra-se uma grande variedade de pedras, cristais e outros artigos associados a práticas espirituais. E a clientela é tão diversificada como o próprio Luxemburgo: portugueses, luxemburgueses, italianos e clientes que atravessam a fronteira, nomeadamente vindos da Bélgica.
Paula identifica, contudo, algumas diferenças na forma como os clientes encaram estes produtos. Entre os portugueses, diz, é frequente a procura de artigos associados à protecção, como o sal, a turmalina, a sálvia ou o pau-santo para defumações. Outros clientes procuram sobretudo aquilo que consideram ser a energia ou a força transmitida pelos cristais.

No fundo, diz, há espaço para todos. Mas a loja é apenas uma parte da história. Quem já encontrou Paula numa feira, como aconteceu recentemente em Larochette, poderá ter reparado noutro lado da sua personalidade: a criatividade.
Desde muito jovem que gosta de artesanato, bricolage e de experimentar novas ideias. O problema é que as ideias também mudam com o tempo. Já trabalhou com copos descartáveis, cápsulas de café, CDs, fez postais e coroas de Natal e, actualmente, dedica-se sobretudo à massa de modelar e à resina.

O denominador comum é quase sempre o mesmo: aproveitar materiais que poderiam ser deitados fora.
Um dos exemplos mais curiosos são as cascas de ostras. Paula transforma-as em queimadores de incenso, dando-lhes uma nova função e evitando que acabem simplesmente no lixo.
“É uma forma de ajudar o planeta”, explica. É também uma forma de se divertir. Ao contrário da loja, esta actividade ainda não é um negócio estruturado. É sobretudo um passatempo que faz em casa, muitas vezes à noite, depois do trabalho e das tarefas do dia.

Quando o marido vai dormir, Paula fica mais um pouco a criar. Experimenta, inventa, testa materiais e procura soluções quando alguma coisa não corre como imaginava. Nem todas as peças saem perfeitas à primeira tentativa, admite, mas também aí está parte do prazer: encontrar uma maneira de corrigir, transformar e aproveitar.
Foi precisamente esta criatividade que começou agora a sair de casa. A participação na feira de Larochette, em Agosto, foi a sua primeira exposição pública dos trabalhos que até então fazia sobretudo para si, para familiares e amigos. A experiência despertou novas possibilidades.
Paula prevê voltar a Larochette em Setembro, no primeiro domingo do mês, dia 6, e novamente em Outubro, também no primeiro domingo. Depois, pretende continuar a apresentar o seu trabalho sempre que surgir oportunidade.
E há uma ideia que poderá ganhar forma perto do Natal: organizar uma pequena exposição dos seus trabalhos no próprio Centro Comercial Espaço, em Beggen, onde mantém a sua loja.
A partir daí, não exclui a possibilidade de criar uma página própria ou outra forma de divulgar regularmente as peças.
Por enquanto, quem quiser conhecer o seu trabalho pode passar pela loja, onde Paula está disponível para mostrar algumas das peças que vai criando e, inclusive, aceitar encomendas.
Entre cristais, pedras, resina, massa de modelar, cascas de ostras e materiais recuperados, Paula construiu dois universos que acabam por se complementar.
Um é o seu trabalho. O outro é a sua forma de relaxar e criar. E talvez seja precisamente essa combinação que torna cada peça diferente: não nasceu numa linha de produção, mas numa noite tranquila, de mãos ocupadas e ideias a ganhar forma.


