Três conjuntos de obras, reunidos sob um mesmo olhar, propõem uma travessia por terreno pouco confortável: raça, nacionalidade, género, identidade e os limites que a sociedade impõe a cada um. É esta a matéria de «Rhapsody of the Unseen», a exposição individual da pintora Maryam Najd, que abre ao público a 3 de setembro, às 18h00, na galeria Nosbaum Reding, no Luxemburgo, com a artista presente.
No centro de tudo persiste uma interrogação sem alarde: saber quem somos enquanto indivíduos e como somos tratados enquanto seres humanos. Quanto daquilo que nos define nos pertence de facto, e quanto foi já decidido pela sociedade em que vivemos — é essa a dúvida que percorre a mostra. A artista não promete respostas. Prefere deixar espaço.
A pintura é o meio, não o fim. Najd descreve o seu trabalho como uma forma de interrogar as ideias que moldaram a maneira como entendemos a raça, a nacionalidade, o género, a identidade e o sentido de pertença. Essas perguntas nascem da observação, mas também da vivência de uma mulher que habitou sociedades diferentes e delas guardou marcas.
Para a autora, a arte nunca se esgota na estética. É antes um modo de abrandar o olhar sobre o mundo e sobre os outros. Recorre ao simbolismo, à alegoria e à ambiguidade para deixar que vários sentidos coexistam, aproximando-se de assuntos incómodos sem os reduzir a fórmulas fechadas. Não a entende como terapia nem como fuga. Encara-a como outra maneira de enfrentar o real.
De acordo com a galeria Nosbaum Reding, «Rhapsody of the Unseen» junta três corpos de trabalho, cada um a olhar estas questões de um ângulo próprio. Em conjunto, cruzam a raça, a nacionalidade, o género e a identidade com a supressão, a censura e as estruturas sociais e políticas que organizam o mundo à nossa volta. Entre as telas expostas figura «Day VII: Friday, The White Dome of Persia», da série «Seven Shades of Blood», de 2024 — acrílico sobre tela, 130 por 120 centímetros, cedido pela própria artista.
Najd não espera que as pinturas resolvam nada. O que oferece é espaço: para ver para lá das categorias habituais, para repensar valores e fronteiras que continuam a condicionar as vidas de cada um. Pela pintura, garante, consegue imaginar e recriar aquilo que a realidade não chegou a concretizar.


