Pinturas a óleo, desenhos minuciosos a preto e branco e conversas descontraídas com quem os criou: é isto que espera quem passar, este domingo, pela Place Bleech. Durante um dia, o centro de Larochette transforma-se numa galeria a céu aberto.
A iniciativa chama-se «Konscht op der Bleech» e regressa à pequena localidade do centro do Grão-Ducado com dezenas de obras espalhadas por tendas e cavaletes de madeira. A organização é da associação L’Art-Rochette asbl e a feira decorre das 10h às 18h, com entrada livre. Para lá das telas, há um pormenor que faz a diferença — as esplanadas em redor da praça, onde se pode beber um copo e comer qualquer coisa sem sair do ambiente.

Um dos expositores é Wyclef Rubinski, artista de origem haitiana adoptado aos três anos por uma família alemã. Desenha desde criança e nunca mais parou. «É um pouco difícil dizer quando comecei a desenhar. Acho que foi por volta dos cinco anos», contou à redacção, explicando que ainda hoje o faz sempre que tem tempo livre. A natureza é o seu grande fio condutor — «desenho muito», resume —, a par dos retratos de pessoas e animais. Não aponta nenhum mestre em particular. «Não tenho um artista específico que me tenha influenciado, como Van Gogh ou outro qualquer», diz. Aprendeu sozinho. No seu espaço, os desenhos a preto e branco — um urso polar com as crias, um bosque de cogumelos — contrastam com telas de cores vivas, como uma praia tropical de palmeira ao vento.
Nem todos os expositores são estreantes nestas andanças. A artista por detrás do Cantinho da Nayma contou ao Letzebuerg Hoje que participa com regularidade em eventos deste género e que mantém o atelier aberto todos os dias, podendo ser contactada através do seu sítio web. Já Romy Bertemes trabalha a partir de um atelier montado em casa e recebe contactos pela sua página de Facebook. Duas formas diferentes de fazer o mesmo: aproximar o público de quem cria.
O que não falta é diversidade. Rostos expressionistas em tons berrantes, retratos femininos de traço delicado, naturezas-mortas com papoilas e abóboras, composições abstractas cheias de movimento — cada tenda segue o seu próprio caminho. E os preços? Acessíveis, em muitos casos: numa das bancas, um caixote de madeira anunciava telas a 50 euros à escolha. Arte para levar para casa sem grande cerimónia.
O cenário ajuda. Larochette, encostada às colinas da região do Mullerthal e dominada pelas ruínas do seu castelo medieval, oferece o pano de fundo ideal para uma tarde de convívio entre famílias e amigos. Quem quiser espreitar tem até ao fim da tarde para o fazer.


