A melhoria duradoura das condições de vida de comunidades africanas vulneráveis continua a ser o eixo de uma organização luxemburguesa que este ano assinala seis décadas de existência. A Fondation Follereau Luxembourg nasceu em 1966, é reconhecida como organização não-governamental de desenvolvimento e como instituição de utilidade pública, e concentra a sua acção na saúde, na educação e na formação profissional. Actua actualmente em seis países africanos — Benim, Togo, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Costa do Marfim e Guiné. «Somos uma organização de desenvolvimento, não de urgência», sublinhou ao Letzebuerg Hoje Marta Gonçalves, responsável pela comunicação.
O nome remete para Raoul Follereau, humanista e jornalista francês que dedicou a vida ao combate à lepra e à defesa dos que a doença empurrava para a margem. Follereau visitava com frequência o Luxemburgo e era próximo da família que viria a fundar a instituição no Grão-Ducado. Chegou a falar aos alunos da École Privée Fieldgen sobre a lepra e sobre a realidade africana — foi essa proximidade que inspirou a criação da fundação. O trabalho assenta em parcerias com organizações locais, uma opção que o lema resume num provérbio africano: se queres ir depressa, vai sozinho; se queres ir longe, vai acompanhado. «Não somos nós que decidimos o que se faz no terreno. É realmente um trabalho conjunto», explicou Elisa Molina, gestora de projectos.
No terreno, a prioridade tem sido levar cuidados básicos a quem vive longe de tudo. Este ano arrancam obras de novos centros de saúde no Togo e no Benim, num ritmo de duas construções anuais no primeiro país e uma no segundo. Não são hospitais, mas unidades simples, erguidas em zonas rurais onde percorrer quilómetros a pé é muitas vezes a única forma de chegar a um médico. «O nosso objectivo é aproximar a saúde das pessoas que vivem longe dos hospitais», resumiu Molina. À construção juntam-se campanhas de sensibilização, vacinação e acompanhamento de mães e recém-nascidos.
A vertente da formação ganha rosto num projecto na Costa do Marfim, o Teta a Teta, que envolve cerca de quarenta jovens. A ideia vai muito além de ensinar um ofício de cabeleireira. As raparigas, na maioria oriundas de zonas rurais, aprendem também a ler, a escrever e a fazer contas, e recebem noções para lançarem o próprio negócio. Muitas são mães ainda muito novas — e foi por isso que a fundação construiu uma creche junto ao centro. «Reparámos que várias tinham deixado os estudos para criar os filhos. Queríamos condições para que pudessem estudar sem interromper o seu percurso», contou a gestora.
Apesar do foco no longo prazo, a fundação responde também a emergências. Na República Centro-Africana, um país mergulhado na instabilidade desde 2011, o apoio só é possível através do parceiro suíço FAIRMED, presente no terreno. É o que o sector da cooperação designa por nexo triplo — a articulação entre desenvolvimento, emergência e paz. «Não podemos deixar de lado a parte do desenvolvimento», observou Molina, notando que os parceiros nos restantes países ainda não estão preparados para intervenções de urgência.
O funcionamento depende de donativos privados e do apoio institucional, com peso relevante do Ministério dos Negócios Estrangeiros luxemburguês. A ligação à sociedade civil é constante: escolas como a Fieldgen recebem todos os anos sessões de sensibilização, e há empresas que contribuem com donativos ou com material informático enviado para África — a plataforma Infogreen é uma das parceiras. Voluntários dão o seu tempo em tarefas tão diversas como traduzir conteúdos ou divulgar o trabalho. À comunidade lusófona e às empresas de países de língua portuguesa presentes no Grão-Ducado, a mensagem foi clara. «Estamos sempre abertos a diferentes parcerias», afirmou Gonçalves. «Não precisa de ser apenas financeira — pode passar por doações de material ou actividades conjuntas.» Quanto ao futuro, a prioridade não muda: fazer mais nos países onde já está e continuar a ajudar quem mais precisa.


