Um manifesto escultórico que confronta a dureza do imaginário bélico com a delicadeza da cultura portuguesa transforma-se, no Luxemburgo, num espelho poético para uma das maiores comunidades da diáspora. Intitulada «Atlas Lusitano», a nova exposição do escultor Frederico Ferreira, que assina como FRED, propõe uma reflexão sobre as tensões, os vínculos e as metamorfoses da identidade nacional num continente em mutação, reunindo materiais e referências que vão da cortiça ao azulejo, da cerâmica à verticalidade gótica do estilo manuelino, que em Portugal conheceu um florescimento particular no período dos Descobrimentos.
A inauguração está marcada para sábado, 6 de junho, a partir das 17h30, no Centro Cultural Português Camões, em Luxemburgo, e a mostra permanecerá patente ao público até 25 de setembro. Organizada pela Embaixada de Portugal e pelo Centro Cultural Português Camões e comissariada por D. André de Quiroga, a iniciativa contará com a alta presença do Presidente da República Portuguesa e do primeiro-ministro de Portugal, num sinal do peso simbólico atribuído ao acontecimento junto da comunidade lusófona no Grão-Ducado.
Natural do norte de Portugal — região historicamente marcada pela tradição industrial — e formado na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, FRED dedicou-se inicialmente ao ensino do desenho antes de iniciar, em 2000, um percurso de pesquisa e produção artística. Esse trajecto desenvolveu-se a par de uma prática alargada do design, que abrange desde a criação de figurinos à concepção e activação de marcas, passando pelo design de produto e pela produção de moldes e equipamentos industriais. É desta articulação entre mundos e saberes distintos, frequentemente associada a criadores e polímatas, que nasce o projecto agora apresentado pela primeira vez no Luxemburgo.
Estruturada em quatro grupos escultóricos que exploram diferentes abordagens plásticas em torno de um tema central, a exposição configura um percurso de múltiplas faces, no qual cada núcleo afirma uma perspectiva singular sem comprometer a coerência conceptual do conjunto. Entre o aço e o rosto, entre o passado e o porvir, as obras interrogam que Europa está hoje a ser construída e que lugar nela cabe ao corpo português. O carácter disruptivo do trabalho prolonga-se ainda para além das paredes do Centro Cultural Camões, espraiando-se pelo panorama cultural do Grão-Ducado através de outras iniciativas, como a edição de múltiplos apresentada pelo Centro Português de Serigrafia.


